Fatores preditivos de sucesso após nefrolitotomia percutânea em posição supina: uma análise de 961 pacientes

Autores: Kayann Kaled Reda El Hayek, Rodrigo Perrella, Daniel Beltrame Ferreira, Carlos Alfredo Batagello, Priscila Kuriki Vieira Mota, David Jacques Cohen, Claudio Bovolenta Murta, Joaquim Francisco de Almeida Claro, Fabio Carvalho Vicentini

Objetivo

O objetivo deste estudo foi avaliar os fatores preditivos de sucesso após nefrolitotomia percutânea realizada na posição supina.

Materiais e Métodos

Foram avaliados pacientes submetidos à nefrolitotomia percutânea em posição supina entre junho de 2011 e outubro de 2018. Foram analisados idade, sexo, índice de massa corporal (IMC), classificação física da Sociedade Americana de Anestesiologistas (ASA), nível de hemoglobina, número de cirurgias prévias, tamanho do cálculo e o Guy’s Stone Score. Sucesso foi definido pela ausência de fragmentos no exame de tomografia computadorizada no primeiro dia pós-operatório. Análises univariadas e multivariadas foram realizadas para identificar parâmetros significativos.

Resultados

Foram avaliados 961 pacientes; 483 (50,2%) haviam sido submetidos a cirurgias relacionadas a cálculos anteriormente, e 499 (51,9%) apresentavam Guy’s Stone Score 3 ou 4. A taxa de sucesso geral em um único procedimento foi de 40,7%, com taxa de complicações de 13,7%. Na análise univariada, o diâmetro máximo do cálculo (25,10±10 mm; p<0,001), nefrolitotomia percutânea prévia (OR 0,52; p<0,001), número de nefrolitotomias percutâneas prévias (OR 0,15; p<0,001), o Guy’s Stone Score (OR 0,28; p<0,001) e o número de trajetos (OR 0,32; p<0,001) foram significativos. Na análise multivariada, o número de nefrolitotomias percutâneas prévias (OR 0,54; p<0,001) e o Guy’s Stone Score (OR 0,25; p<0,001) foram estatisticamente significativos.

Conclusão

O Guy’s Stone Score e o número de nefrolitotomias percutâneas prévias são preditores de sucesso na posição supina. Casos complexos e com intervenções percutâneas prévias podem requerer aprimoramentos técnicos para alcançar taxas mais altas de remoção completa dos cálculos.

Publicação

2022 – Revista da Associação Médica Brasileira