Nefrolitotomia Percutânea em Pacientes com Lesão Medular: Todos Devem Ser Automaticamente Classificados com GSS 4?

Autores: Fabio C. M. Torricelli, Fabio C. Vicentini, Lucas Zanetti, Rodrigo Perrella, Giovanni S. Marchini, Alexandre Danilovic, Carlos A. Batagello, Claudio B. Murta, Joaquim F. A. Claro, Miguel Srougi, William C. Nahas, Eduardo Mazzucchi

Objetivo

Avaliar as taxas de complicações e de sucesso livre de cálculos (stone-free) em pacientes com lesão medular (SCI) submetidos à nefrolitotomia percutânea (PCNL) e determinar se esses pacientes devem ser automaticamente classificados com um Guy’s Stone Score (GSS) de 4.

Materiais e Métodos

Estudo caso-controle que revisou prontuários eletrônicos de pacientes com SCI, disfunção vesical e cálculos renais submetidos à PCNL. Casos-controle foram selecionados aleatoriamente entre pacientes com cálculo coraliforme completo (GSS = 4).

Resultados

Foram incluídos 117 pacientes. Os pacientes com SCI apresentaram tempo operatório significativamente menor (119 vs. 141 minutos; p=0,018). Não houve diferenças significativas em termos de posição do paciente, número de tratos renais, sangramento ou taxa de transfusão. Entretanto, a taxa de complicações foi significativamente maior (23,1% vs. 7,8%; p=0,009) e o tempo de internação mais longo (5,8 vs. 3,1 dias; p=0,002) entre os pacientes com SCI. Em relação à taxa livre de cálculos, pacientes com SCI e GSS 1 apresentaram taxa de 85,7%, enquanto aqueles com GSS 2, 3 ou 4 apresentaram 50%, 50% e 31,5%, respectivamente (p=0,024). Apenas os pacientes com SCI e GSS 4 apresentaram resultados semelhantes aos dos controles (31,5% vs. 31,6%).

Conclusão

Pacientes com lesão medular não devem ser automaticamente classificados como GSS 4. A taxa livre de cálculos está relacionada ao volume de cálculos nesses pacientes, embora apresentem maior taxa de complicações e maior tempo de internação em comparação aos pacientes sem condições neurológicas.

Publicação

2022 – World Journal of Urology